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Fazer greve
- by Paula Barros
Eu não fiz greve. Nem faria. Nem seria assim que demonstraria o meu descontentamento com uma situação laboral. Sinceramente, a mim parece-me que esse meio de reivindicar direitos laborais pertence ao passado, quando as pessoas não tinham direito a mais que não fosse trabalhar de forma escrava 10 ou mais horas a troco de um salário miserável que mal chegava para alimentar uma boca da família.
Hoje, que temos empregos para a vida, que temos acesso a subsídios de Natal, de Férias, de Desemprego, de Família, Instituições de Saúde, reforma garantida, estradas e meios de transporte baratos, parece-me não só abusivo como também de uma grande desconsideração para com aqueles que não podem fazer greve e que esses sim são os mais afetados pelas reformas que aí vêm. Sim, porque não esqueçamos que os 3 milhões que hoje fizeram greve são trabalhadores bem protegidos. Os restantes 40% foram trabalhar seja por não poderem prescindir do dinheiro nem do trabalho, seja por consciência.
Não fiz greve, nem faria. Trabalhei, porque é um direito que me assiste: contribuir para melhorar a situação económica em vez de parar e ficar a olhar para ontem. Chocou-me a paragem de Autoeuropa, chocou-me que, depois de terem encontrado uma forma de subsistir e de ainda por cima poderem ter este ano aumentos salariais os trabalhadores da Autoeuropa tenham feito greve. A solidariedade manifesta-se ajudando o país e não contribuindo para a sua ruína.
O trabalho, ouvi eu hoje, é um bem cada vez mais escasso e meus amigos, vêm aí tempos bem mais difíceis, esta greve ainda por cima sem uma verdadeira manifestação de protesto, com as ruas vazias, qual feriado ou domingo sonolento, de nada adianta, a não ser fazer poupar uns cobres ao estado e dificultar a vida a quem quer trabalhar. Esperem só até o FMI aí chegar e deitar as cartas do desemprego: ou qual será melhor: menos 5% no salário ou menos o salário completo?
Não fiz greve, nem farei nunca, porque se a ideia é tirar um dia de férias, posso fazer exatamente isso: tirar um dia de férias. De resto vou trabalhar, que ainda tenho muito para fazer!
Dicionário prático de Portugal
- by Paula Barros
Mas quem é que entende este país? Algum de vocês?
Estamos à beira da rutura e os portugueses querem greve, o governo quer TGV, a oposição não sabe bem o que quer, mas isto é que não quer; os trabalhadores querem mais 5% e os desempregados querem subsídio; os que já nem desempregados são (por limite de prazo) querem subsídio; a classe média quer WIIs, Playstations, carros e pagar a casa; os ricos que os deixem em paz; os juízes, coitadiiiiiiinhos querem o seu merecidíssimo subsídio de renda no desgostoso valor de 700 euros, (os professores é que não sabiam desta, senão em vez de não quererem avaliação, faziam era greve para terem direito ao mesmo subsídio).
Resolvi “criar” um dicionário prático que ajude a entender Portugal. Sobretudo que ajude a perceber o que é que podemos querer e do que é que devemos prescindir. Na minha “capacidade” de “dicionarista” convido-vos a juntar os termos que definem o nosso lindo país.
Aceitam-se muitas sugestões!
Vá lá!