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    O poder das crianças

    Foto by © Morphart - Fotolia.comHouve um tempo, não tão longe assim, ainda na memória dos nossos mais velhos, em que um pedido de uma criança era sempre visto como um capricho. Como se dizia então, as crianças não têm quereres. Se esse pedido parecesse até um abuso, a criança arriscava-se era a uma bofetada bem aplicada.

    Na escola a disciplina era apertada, comportamentos menos próprios, que muitas vezes podiam começar por um virar-se para trás eram contemplados com carolos na cabeça, avisos ameaçadores ou até castigos exemplares com os meninos virados para a parede… Como se não bastasse uma grande parte dessas crianças tinha até de trabalhar depois da escola.

    Estes tempos duros para as crianças configuravam o poder dos adultos sobre as crianças.

    Há um tempo, presente e bem atual para todos nós em que um capricho de uma criança é sempre visto como uma necessidade e atendido na medida da bolsa dos pais e da sua (in)capacidade de impor limites. O menino quer a consola de jogos, aqui está ela. O telemóvel, pois claro, faz-lhe falta, afinal. Não quer ir para a cama, bom por hoje passa (quando era pequeno, o pai ou a mãe detestava ter de cumprir com essa ordem, por isso há que poupar os filhos). Os legumes são horríveis, não lhe são servidos sequer para evitar conflitos.

    Na escola o professor queixa-se que a criança é irrequieta e perturba a aula; mas então ser criança é isso mesmo: ser ativo! E professor que é professor deveria saber isso!

    Estes tempos de agora, tão permissivos para as crianças configuram o poder das crianças sobre os adultos.

    Se antigamente o uso de poder era exagerado; hoje em dia o exercício do poder paternal é demasiadamente apagado. Pois, estas crianças que crescem sem aprender a estabelecer os seus limites, sem sentido de responsabilidade perante os outros, não estão a ser educadas para viver em sociedade e suspeito que irão fazer em adultos a aprendizagem mais dura: afinal nunca lhes disseram que não podiam fazer o que bem entendiam.

    Foto: © Morphart – Fotolia.com

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    One Response to O poder das crianças

    1. Paula Barros says:

      O que com isto quero dizer, é que crescem com um maior sentimento do individual, onde o egoismo ganha sobre sentimentos e valores como a solidariedade, a partilha e o respeito pelo o outro. É claro que a sociedade é constituída pelas pessoas que nela crescem e se os valores predominantes forem o individualismo, será essa a sociedade em que vão viver. Se for essa a sociedade que queremos para os nossos filhos, está tudo bem. Pessoalmente prefiro aquela sociedade em que as pessoas prestam em primeiro lugar atenção aos outros! E neste tipo de sociedade há limites necessários que são talvez mais curtos do que os da sociedade dos valores individuais.

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