Nos meandros da Internet

 - by Paula Barros

Quando o google fala, o mundo cala. E o bing também.
Acabei de assistir a um painel de conferencistas onde estava presente uma representante do Google, um do Bing, uma “SEOa“* (como eu, mas não novata como eu) e mais uns quantos.
No fundo resumiu-se às questões da relação do google com o povo (SEOs e utilizadores). E não deixa de ser interessante ver como todos (adoradores e opositores) ficam dependentes das poucas palavras que o google se dá ao luxo de deitar cá para fora.

*para quem não sabe, SEO significa “Search Engine Optimisation”. Portanto SEOa (palavra invantada por mim, não repitam!) é a profissional que tenta melhorar a presença de um determinado site no google…

Os Políticos, os Mercados e Nós

 - by NunoB

A semana passada falou-se muito de Orçamento, Mercados, Políticos e Loucos. Falou-se muito dos que falaram, dos que disseram que lhes disseram que outros disseram. Curiosamente, Aquele que não fala, falou ao Expresso, numa pouco habitual entrevista. No fim da semana as bolsas caíram porque os políticos falaram, pondo a nu um facto que não se quer ver – os mercados são independentes do poder político, são uma força incontrolável e implacável. Descarregam a sua ira sobre nós ao menor sinal de mau comportamento.

Os políticos falam, os mercados castigam-nos. E os políticos falam novamente e queixam-se dos mercados. São injustos para Portugal, diz o Presidente da República. São irracionais, diz o Ministro das Finanças, são loucos diz o Primeiro Ministro (esperem… não são os mercados que são loucos! É o Mário Crespo e o Medina Carreira!). Os meta-políticos – políticos da União Europeia – comparam Portugal e Espanha com a Grécia e vai daí os meta-mercados oscilam perigosamente; levantam-se tufões e pragas de gafanhotos.
Os mercados e os políticos. Estes salvam os bancos da crueldade daqueles, mas não se podem salvar a si próprios. Os mercados estão para os políticos como Deus está para os Homens (e Mulheres e Gays, já agora). Os mercados são cruéis, implacáveis, castigadores, mas simultaneamente têm desígnios incompreensíveis para o mero político e comum mortal e definitivamente escrevem direito por linhas tortas. Os mercados são adorados e simultaneamente temidos e a sua mão invisível (tal como a de Deus) pode ser pesada. E um Pai Nosso e duas Avé-Marias já não são suficientes para obter o redentor Perdão. É preciso muito mais, mas mesmo muito mais.

E nós? Qual o nosso papel nesta relação metafísica de forças? Nós somos os Porcos, ou melhor, os PIGS, que para quem não sabe, é o acrónimo pelo qual os analistas dos mercados – esses sacerdotes sacrificiais da modernidade – se referem a Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (Spain). Pois nós somos ainda mais: os verdadeiros porcos, aqueles de Orwell, aqueles para os quais o único caminho é a Revolução.

Crédito online

 - by Paula Barros

Sabiam que a pesquisa por “crédito online” esta a crescer? E a crescer exponencialmente? Pois é verdade.
As dificuldades económicas dos portugueses começam a fazê-los virar-se para a net, na imparável busca de novos meios para chegar a dinheiro. Nem há trinta anos atrás recorria-se à D. Branca (lembram-se da história?), ou familiares ou talvez até bons amigos (fazendo com que as amizades, se tornassem elas próprias dívidas incobráveis…). Os bancos só davam a quem já tinha dinheiro, o comum dos portugueses, que apenas tinha o seu mensal, a isso não tinha direito.
Para ilustrar, quando eu tinha cerca de 24, e trabalhava já há um ano, pensei em comprar um apartamento. Fui ao meu banco, então o BPA, actual Millenium, creio, e a funcionária do banco disse-me logo com um sorriso benevolente que nada feito: o banco não emprestava dinheiro a profissionais liberais, sim, pois, esqueci-me de mencionar que apesar de ganhar bom dinheiro na altura, eu era profissional liberal: recibos verdes, ui, ui!
Poucos anos mais tarde, ainda profissional liberal, o BES, comprou-me o apartamento, sem tugir nem mugir, com crédito jovem, a 100%. Ora toma, que é para aprender!
Agora, pelos vistos, chegamos à era da net, e em desespero de causa, porque precisamos do dinheiro para ontem, senão o mesmo banco ainda nos põe fora de casa! Vai daí, recorremos à net, e pelos resultados do Google Insights os portugueses estão mesmo desesperadinhos à procura de dinheiro, já!

Máquina de fazer telenovelas

 - by Paula Barros

Uma cuspidela no lápis… ah, desculpem, hoje é: uma cuspidela nas pontas dos dedos, entrelaçar os dedos das mãos e estalá-los, esticam-se os braços e atacamos o teclado.  Ora saia lá uma telenovela fresquinha.

Já perderam tempo a ver uma telenovela portuguesa*?Pois vejam! Basta um ou dois episódios e podem ter uma ideia da qualidade da coisa. Deve ser como digo no título uma máquina de fazer telenovelas: a gente mete lá para dentro o tradicional: uma família rica, uma família pobre, a apaixonada, o apaixonado (que além de serem obsessivos, são à vez um da família rica, o outro da família pobre). Depois mistura-se ainda um braçado de personagens secundárias: o mau ou maus, tão mau (ou maus) que lhe(s) é permitido fazer coisas bem escabrosas – como apontar uma arma em plena praça central de uma cidade europeia -, sem que nada lhe aconteça: ora experimentem lá fazer tal e depois digam o que vos aconteceu! Temos ainda os ajudantes dos heróis, 2 ou 3 ou até mais, que são mais ou menos idiotas,  incapazes de contribuir para o desenrolar saudável da trama. Só complicam, são pobres de espírito, de tal forma que só apetece dar-lhes uns sopapos. Aliás, até aos famigerados heróis (os apaixonados, entenda-se) só apetece dar uns sopapos.   E finalmente as demais personagens: ui, que fraquinhos! (Mas temos de dar trabalho ao pessoal, senão as nossas muitas escolas de actores não tinham futuro).

Depois temos os diálogos. São tão fraquinhos!!! Mas pelo menos todos falam muito bem. Isto até que nem é mau! Mais vale ouví-los a dizer: “é demasiado doloroso!” do que “tá tudo fodido!” mesmo se parecer um pouco artificial.

Os cenários, esses pelo menos são (acho eu) bastante aceitáveis. As cidades não podem ser lá muito falsificadas, embora se tente, claro; e os interiores são geralmente bem caracterizados. Dá para ter uma ideia do que é que os portugueses gostam (isto porque penso que há este tipo de cuidado na preparação dos ditos.

E muito, muito mais havia a dizer sobre as máquinas de telenovelas (um dia compro uma!), mas não tenho tempo! Adeusinho e até à próxima, está na hora da telenovela!

*Não falo das brasileiras, que já não vejo há anos e deixo isso para os brasileiros!

Estás à procura de um dicionário?

 - by Paula Barros

notícia do dia - dicionáriosHá dicionários e dicionários. Grandes, pequenos, com imagens, enciclopédicos, académicos, escolares, eu sei lá!… Chega-se ali aos escaparates do hipermercado (porque isto de ir a uma livraria, era ontem – ou ainda como dizia um ex-formando meu: “já fostes!”) e olhando de cima abaixo há-os azuis, verdes, laranja (ora confessem: quem não têm um destes últimos lá em casa, hmm?) e agora: qual??

E como se deve escolher um dicionário, perguntam vocês?

Bem, depende. Depende do uso que vão dar ao dicionário. E garanto que podem ter vários (eu tenho 3 só de língua portuguesa) e acima de tudo podem comprar as novas edições porque as línguas evoluem a um ritmo fantástico! Estou a divagar. A ter em conta há dois primeiros critérios: o uso que lhe vão dar e para quem estão a comprar o dicionário. O custo, que para muitos é o primeiro critério, vai ficar para último, até porque sendo eu lexicógrafa, dou muito valor ao meu trabalho, como ao dos meus colegas e isso paga-se, meus amigos!

Os dicionários não são meras listagens de palavras com significados. São muito mais do que isso. Mas comecemos por essas listagens de palavras, ou melhor entradas, é assim que nos referimos às palavras que são listadas no dicionário -, depois é preciso trabalhá-las em função do público alvo e do objetivo do dicionário. Se o dicionário é para estrangeiros (crianças ou adultos) ou falantes da língua, se esses falantes são crianças, estudantes ou adultos, se estes são profissionais da área das línguas ou não.  E assim o dicionário vai ganhado complexidade ou moldando o tratamento das palavras para melhor servir o público a que se destina: para crianças 10 000 a 20 000 palavras de vocabulário básico com significados simples e claros; para estrangeiros 15 000 a 25 000 palavras igualmente de vocabulário básico e também com significados claros, mas também o contexto em que as palavras se usam, exemplos de uso e alguns idiomatismos frequentes e também informação gramatical (como o feminino ou o plural, etc); para estudantes 20 000 a 40 000 já com algum vocabulário científico incluindo no tratamento das palavras mais riqueza de significados. Para o comum dos mortais que fala Português como língua materna um dicionário que inclua o que já foi mencionado mas para cerca de 80000 palavras que incluem várias áreas do saber. Já uma pessoa que trabalha com línguas necessita obrigatoriamente de um dicionário com pelo menos 200 000 palavras detalhadamente trabalhadas com o máximo de usos possível.

E assim chegamos ao preço. Fazer um dicionário não é como podem ver tarefa fácil, é preciso investir muito tempo (a título de exemplo, o último dicionário em que colaborei, de alemão-português com cerca de 80 000 palavras ocupou-nos – 3 colaboradores – 3 anos de trabalho a tempo inteiro). Por isso quanto maior e mais complexo o dicionário mais caro! Daí que este critério venha em último lugar.

Portanto que dicionário escolher? Pois depende do vosso objetivo e de quem vocês são: estrangeiro? ou escritor português? Enfim uma dica para encontrar o melhor dicionário: abram-no num verbo como fazer, olhar e vejam com os vários dicionários tratam esse verbo e escolham aquele que der a informação que precisam. É o mais caro? Meu amigo! Isso só significa que o vosso Português é dos caros!

Escrever em Português (parte 2)

 - by Paula Barros

Aqui está a segunda parte sobre o acordo ortográfico. Depois do hífen ( se não leste, vai para Escrever em Português parte 1), temos as consoantes mudas, ou seja as letras que se escrevem, mas não se dizem.

consoantes mudas

Quando falamos de consoantes mudas, estamos a falar daquelas letras que aparecem nos grupos -cç-,  -ct-, -pç-, pt. Apesar de serem escritas, nem sempre se pronunciam:

  • acção   direcção   actual   adopção   óptimo

Nestas palavras, sem margem para qualquer dúvida, não se diz o “c”  ou o “p”. Por isso este acordo vem estabelecer que,  se não se pronunciam, então também não se escrevem:

  • ação   direção   atual   adoção   ótimo

Esta mudança é a que tem levantado mais celeuma. Mas sem motivo: apenas deixamos de escrever nas palavras as letras que não dizemos! É só isso!

Nas palavras em que as dizemos, continuamos a escrevê-las, claro! Assim, é obrigatório escrevê-las em:

  • secção   facto    pacto    opção   apto

Há ainda aquelas palavras em que essas letras tanto são pronunciadas como não. Por exemplo:

  • recepção (no Brasil)  e receção (em Portugal)
  • acepção e aceção
  • conceptual e concetual

Estas duas pronúncias das palavras podem existir tanto simultaneamente onde se fala português ou ser apenas características de um dos países, como no primeiro caso. Por isso, as duas escritas são possíveis. Basicamente passamos a escrever de acordo com a maneira como falamos: se as pronunciamos, escrevemo-las; se não as pronunciamos, não escrevemos!

Finalmente, e claro dependente destas regras, palavras do tipo da seguinte sofrem mais uma pequena alteração:

  • assumpção >> assunção

ou seja como já não se escreve o -p-, então não podemos escrever o -m- anterior!

Sobram ainda os grupos -bd-, -gd-, -tm- e -mn- onde novamente, se não se pronuncia uma das letras, então também não se escreve; onde se pronuncia, então escreve-se! Por exemplo:

  • amigdala e amídala (eu digo amígdala e vocês? E mais casos não me ocorrem agora)

Na base desta mudança (e das outras) está uma tentativa de aproximar a escrita – ortografia -  da oralidade (e não como já ouvi, aproximar o Português de Portugal do Português do Brasil, ou por outra a escrita fica mais uniformizada, mas a oralidade continua a manter as suas características – eu digo características e não caraterísticas! -  regionais bem claras!).  Anteriormente baseavam-se as regras que orientavam a escrita – a ortografia, melhor dizendo -  na origem das palavras, neste acordo tenta-se uma muito suave aproximação à língua falada, daí estas mudanças.

Ler Escrever em Português (parte 3) que trata dos acentos.

Escrever em Português (parte 1)

 - by Paula Barros

Em janeiro entrou em vigor o novo acordo ortográfico, que orienta a forma como, a partir de agora, escrevemos em português. Apesar de parecer assustador, na prática o que mudou foi pouco. Assim as grandes mudanças são no uso do hífen (o tracinho), no uso daquelas letras que não se pronunciam mas se escreviam, e agora já não escrevem, alguns acentos que são alterados ou eliminados e alguns nomes que passam a ser escritos com minúscula.

hífen (-)

Agora escreve-se com hífen (o tracinho!) as palavras que são compostas por prefixo (coisas como anti-, micro-, semi- etc.) + palavra começada por “h” e palavras  cujo prefixo acaba com vogal igual à palavra que se lhe segue:

  • anti-heroi   anti-histórico   anti-hitlerismo, neo-helénico,   semi-homem, etc.
  • anti-inflamatório   anti-infeccioso   contra-ataque   contra-asa   contra-aviso  intra-atómico    micro-onda   semi-
    -inconsciente

E também no verbo “haver de”. Onde se escrevia hás-de, há-de, agora escreve-se hás de, há de.

Mantém-se com hífen todas as palavras começadas pelos prefixos ex-, pré-, pró-, bem- e não-:

  • ex-acionista   ex-aequo   ex-cátedra   ex-libris   ex-marido   ex-diretor
  • pré-aviso   pré-datado   pré-escola   pré-fabricado   pré-história   pré-seleção pré-fabricado
  • pró-activo   pró-ocidental   pró-reitor
  • bem-afortunado   bem-disposto   bem-estar   bem-vindo
  • não-alinhado   não-cumprimento   não-violência

Escrevem-se sem hífen as palavras começadas pelos restantes prefixos e por co- (mesmo se seguido por uma palavra começada por “o”):

  • apropósito   atempo   autoimune   autoestrada     coacusado    coautor   cofundador   cogerência   contraindicação   coocorrência   coocupante   copiloto  extraescolar   extraoficial   infraestrutura   intraósseo   intrauterino    minivestido   neoexpressionista   neoidealismo    obrogar   protoestrela  subrotina     supraestrutura   ultraortodoxo

Nas palavras em que a segunda palavra começa por r ou s e o prefixo termina em vogal dobram-se essas consoantes     -rr- e -ss-:

  • antirreflexo    antissocial    autorretrato contrarrelógio   corresponsabilidade   corréu   cosseno    infrassom   minissaia    minissérie   neorrealismo    protorrevolução   pseudorrevelação   semirreboque    semissom   suprassumo   ultrarrealista ultrassom

As palavras compostas como guarda-chuva, abóbora-menina, etc continuam a escrever-se desta forma. As locuções, ou seja expressões que entretanto se usam muito como “cão de guarda”, “cor de vinho” não se escrevem com hífen. Neste grupo foi considerado fim-de-semana que agora se escreve separado:

  • fim-de-semana >> fim de semana (pessoalmente, não concordo nada com esta mudança, já que na minha opinião isto é não é uma locução, mas sim uma palavra composta à semelhança de tantas outras …)

Ler o capítulo seguinte: Escrever em Português (parte 2) ->

Novas Oportunidades

 - by Paula Barros

Dar uma nova oportunidade àqueles que no seu tempo não terminaram a escola é uma excelente ideia. Desistir da escola enquanto se é jovem é um erro, que se pagará caro mais tarde, quando finalmente se percebe que sem estudos, somos tratados como cidadãos de segunda, é-se tratado como um incapaz. Assume-se que quem não estuda, é burro!

Voltar aos bancos de escola nunca pode ser mau, mesmo quando aparentemente não se aprende, facto é que somos confrontados  com a necessidade de tornar a pensar, analisar, é-nos novamente exigido esforço mental e isso é sempre bom. Que se diga que ninguém sai daqui a saber nada, é possivelmente verdade.  No entanto não creio que o objectivo seja ensinar um novo mundo, mas sim abrir os horizontes de quem já não anda na escola há muito tempo. Se isso é bem ou mal feito não sei. Pode ser que os próprios professores não saibam fazer isso: ou seja apenas saibam debitar matéria como fazem com os seus alunos mais novos, pode ser também que os programas não estejam adequados aos destinatários ou não estejam adequados à realidade – foram feitos por professores que estão habituados a debitar matéria, não é? -, pode ser que os formandos não saibam estar numa sala de aula sem ser como estiveram (e não gostaram) há  muitos anos atrás. Pode ser que afinal ninguém saiba lá muito bem o que fazer nesta circunstância. E isso é mau e gera um sentimento de insatisfação e frustração.

Pessoalmente continuo a considerar as Novas Oportunidades uma ideia excelente e que se deve manter e alargar a todos os que queiram voltar à escola. Talvez seja necessário ir fazendo uma avaliação criteriosa dos resultados e ir melhorando o programa.

Orçamento do Estado

 - by Paula Barros

O PS, o CDS estão na mesa das negociações para deliberar como vai ser aprovado este orçamento do estado e como não há jeito destes se entenderem rapidamente, vem aí agora o PSD para ajudar à festa.

Está difícil, dizem, chegar a acordo. O estado tem dívidas e como o PS agora já não tem a faca e o queijo na mão, não há orçamento de estado sem consenso.

A questão é: E eles vão meter a mão onde? Nas empresas, nos trabalhadores? Ou no estado? E que tal se eles metessem a mão nos seus lindos ordenados de deputados, assessores eleitos, ministros e governantes, hem?

E que provavelmente vão ser aumentados, de acordo com as revisões salariais, ou não?

Nisso ninguém fala, não é?

http://www.cga.pt/Legislacao/Subvencao_mensal_vitalicia.pdf

http://www.dgaep.gov.pt/index.cfm?OBJID=f3f3646b-bbd0-4251-8b5c-4a35180adc15