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    Os Políticos, os Mercados e Nós

    A semana passada falou-se muito de Orçamento, Mercados, Políticos e Loucos. Falou-se muito dos que falaram, dos que disseram que lhes disseram que outros disseram. Curiosamente, Aquele que não fala, falou ao Expresso, numa pouco habitual entrevista. No fim da semana as bolsas caíram porque os políticos falaram, pondo a nu um facto que não se quer ver – os mercados são independentes do poder político, são uma força incontrolável e implacável. Descarregam a sua ira sobre nós ao menor sinal de mau comportamento.

    Os políticos falam, os mercados castigam-nos. E os políticos falam novamente e queixam-se dos mercados. São injustos para Portugal, diz o Presidente da República. São irracionais, diz o Ministro das Finanças, são loucos diz o Primeiro Ministro (esperem… não são os mercados que são loucos! É o Mário Crespo e o Medina Carreira!). Os meta-políticos – políticos da União Europeia – comparam Portugal e Espanha com a Grécia e vai daí os meta-mercados oscilam perigosamente; levantam-se tufões e pragas de gafanhotos.
    Os mercados e os políticos. Estes salvam os bancos da crueldade daqueles, mas não se podem salvar a si próprios. Os mercados estão para os políticos como Deus está para os Homens (e Mulheres e Gays, já agora). Os mercados são cruéis, implacáveis, castigadores, mas simultaneamente têm desígnios incompreensíveis para o mero político e comum mortal e definitivamente escrevem direito por linhas tortas. Os mercados são adorados e simultaneamente temidos e a sua mão invisível (tal como a de Deus) pode ser pesada. E um Pai Nosso e duas Avé-Marias já não são suficientes para obter o redentor Perdão. É preciso muito mais, mas mesmo muito mais.

    E nós? Qual o nosso papel nesta relação metafísica de forças? Nós somos os Porcos, ou melhor, os PIGS, que para quem não sabe, é o acrónimo pelo qual os analistas dos mercados – esses sacerdotes sacrificiais da modernidade – se referem a Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (Spain). Pois nós somos ainda mais: os verdadeiros porcos, aqueles de Orwell, aqueles para os quais o único caminho é a Revolução.

     

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