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    Máquina de fazer telenovelas

    Uma cuspidela no lápis… ah, desculpem, hoje é: uma cuspidela nas pontas dos dedos, entrelaçar os dedos das mãos e estalá-los, esticam-se os braços e atacamos o teclado.  Ora saia lá uma telenovela fresquinha.

    Já perderam tempo a ver uma telenovela portuguesa*?Pois vejam! Basta um ou dois episódios e podem ter uma ideia da qualidade da coisa. Deve ser como digo no título uma máquina de fazer telenovelas: a gente mete lá para dentro o tradicional: uma família rica, uma família pobre, a apaixonada, o apaixonado (que além de serem obsessivos, são à vez um da família rica, o outro da família pobre). Depois mistura-se ainda um braçado de personagens secundárias: o mau ou maus, tão mau (ou maus) que lhe(s) é permitido fazer coisas bem escabrosas – como apontar uma arma em plena praça central de uma cidade europeia -, sem que nada lhe aconteça: ora experimentem lá fazer tal e depois digam o que vos aconteceu! Temos ainda os ajudantes dos heróis, 2 ou 3 ou até mais, que são mais ou menos idiotas,  incapazes de contribuir para o desenrolar saudável da trama. Só complicam, são pobres de espírito, de tal forma que só apetece dar-lhes uns sopapos. Aliás, até aos famigerados heróis (os apaixonados, entenda-se) só apetece dar uns sopapos.   E finalmente as demais personagens: ui, que fraquinhos! (Mas temos de dar trabalho ao pessoal, senão as nossas muitas escolas de atores não tinham futuro).

    Depois temos os diálogos. São tão fraquinhos!!! Mas pelo menos todos falam muito bem. Isto até que nem é mau! Mais vale ouvi-los a dizer: “é demasiado doloroso!” do que “tá tudo fodido!” mesmo se parecer um pouco artificial.

    Os cenários, esses pelo menos são (acho eu) bastante aceitáveis. As cidades não podem ser lá muito falsificadas, embora se tente, claro; e os interiores são geralmente bem caracterizados. Dá para ter uma ideia do que é que os portugueses gostam (isto porque penso que há este tipo de cuidado na preparação dos ditos.

    E muito, muito mais havia a dizer sobre as máquinas de telenovelas (um dia compro uma!), mas não tenho tempo! Adeusinho e até à próxima, está na hora da telenovela!

    *Não falo das brasileiras, que já não vejo há anos e deixo isso para os brasileiros!

     

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