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    Escrever em Português (parte 2)

    As consoantes mudas (que não se dizem) e o novo Acordo Ortográfico. Aqui está a segunda parte sobre o acordo ortográfico. Depois do hífen ( se não leste, vai para Escrever em Português parte 1), temos as consoantes mudas, ou seja as letras que se escrevem, mas não se dizem.

    consoantes mudas

    Quando falamos de consoantes mudas, estamos a falar daquelas letras que aparecem nos grupos -cç-,  -ct-, -pç-, pt. Apesar de serem escritas, nem sempre se pronunciam:

    • acção   direcção   actual   adopção   óptimo

    Nestas palavras, sem margem para qualquer dúvida, não se diz o “c”  ou o “p”. Por isso este acordo vem estabelecer que,  se não se pronunciam, então também não se escrevem:

    • ação   direção   atual   adoção   ótimo

    Esta mudança é a que tem levantado mais celeuma. Mas sem motivo: apenas deixamos de escrever nas palavras as letras que não dizemos! É só isso!

    Nas palavras em que as dizemos, continuamos a escrevê-las, claro! Assim, é obrigatório escrevê-las em:

    • secção   facto    pacto    opção   apto

    Há ainda aquelas palavras em que essas letras tanto são pronunciadas como não. Por exemplo:

    • recepção (no Brasil)  e receção (em Portugal)
    • acepção e aceção
    • conceptual e concetual

    Estas duas pronúncias das palavras podem coexistir no mesmo país ou ser apenas características de um dos países, como no primeiro caso. Por isso, as duas escritas são possíveis. Basicamente passamos a escrever de acordo com a maneira como falamos: se as pronunciamos, escrevemo-las; se não as pronunciamos, não escrevemos!

    Finalmente, e claro dependente destas regras, palavras do tipo da seguinte sofrem mais uma pequena alteração:

    • assumpção >> assunção

    ou seja como já não se escreve o -p-, então não podemos escrever o -m- anterior!

    Sobram ainda os grupos -bd-, -gd-, -tm– e -mn- onde novamente, se não se pronuncia uma das letras, então também não se escreve; onde se pronuncia, então escreve-se! Por exemplo:

    • amigdala e amídala (eu digo amígdala e vocês? E mais casos não me ocorrem agora)

    Na base desta mudança (e das outras) está uma tentativa de aproximar a escrita – ortografia –  da oralidade (e não como já ouvi, aproximar o Português de Portugal do Português do Brasil, ou por outra a escrita fica mais uniformizada, mas a oralidade continua a manter as suas características – eu digo características e não caraterísticas! –  regionais bem claras!).  Anteriormente baseavam-se as regras que orientavam a escrita – a ortografia, melhor dizendo –  na origem das palavras, neste acordo tenta-se uma muito suave aproximação à língua falada, daí estas mudanças.

    Ler Escrever em Português (parte 3) que trata dos acentos.

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