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Crédito online

 - by Paula Barros

Sabiam que a pesquisa por “crédito online” esta a crescer? E a crescer exponencialmente? Pois é verdade.
As dificuldades económicas dos portugueses começam a fazê-los virar-se para a net, na imparável busca de novos meios para chegar a dinheiro. Nem há trinta anos atrás recorria-se à D. Branca (lembram-se da história?), ou familiares ou talvez até bons amigos (fazendo com que as amizades, se tornassem elas próprias dívidas incobráveis…). Os bancos só davam a quem já tinha dinheiro, o comum dos portugueses, que apenas tinha o seu mensal, a isso não tinha direito.
Para ilustrar, quando eu tinha cerca de 24, e trabalhava já há um ano, pensei em comprar um apartamento. Fui ao meu banco, então o BPA, actual Millenium, creio, e a funcionária do banco disse-me logo com um sorriso benevolente que nada feito: o banco não emprestava dinheiro a profissionais liberais, sim, pois, esqueci-me de mencionar que apesar de ganhar bom dinheiro na altura, eu era profissional liberal: recibos verdes, ui, ui!
Poucos anos mais tarde, ainda profissional liberal, o BES, comprou-me o apartamento, sem tugir nem mugir, com crédito jovem, a 100%. Ora toma, que é para aprender!
Agora, pelos vistos, chegamos à era da net, e em desespero de causa, porque precisamos do dinheiro para ontem, senão o mesmo banco ainda nos põe fora de casa! Vai daí, recorremos à net, e pelos resultados do Google Insights os portugueses estão mesmo desesperadinhos à procura de dinheiro, já!

Máquina de fazer telenovelas

 - by Paula Barros

Uma cuspidela no lápis… ah, desculpem, hoje é: uma cuspidela nas pontas dos dedos, entrelaçar os dedos das mãos e estalá-los, esticam-se os braços e atacamos o teclado.  Ora saia lá uma telenovela fresquinha.

Já perderam tempo a ver uma telenovela portuguesa*?Pois vejam! Basta um ou dois episódios e podem ter uma ideia da qualidade da coisa. Deve ser como digo no título uma máquina de fazer telenovelas: a gente mete lá para dentro o tradicional: uma família rica, uma família pobre, a apaixonada, o apaixonado (que além de serem obsessivos, são à vez um da família rica, o outro da família pobre). Depois mistura-se ainda um braçado de personagens secundárias: o mau ou maus, tão mau (ou maus) que lhe(s) é permitido fazer coisas bem escabrosas – como apontar uma arma em plena praça central de uma cidade europeia -, sem que nada lhe aconteça: ora experimentem lá fazer tal e depois digam o que vos aconteceu! Temos ainda os ajudantes dos heróis, 2 ou 3 ou até mais, que são mais ou menos idiotas,  incapazes de contribuir para o desenrolar saudável da trama. Só complicam, são pobres de espírito, de tal forma que só apetece dar-lhes uns sopapos. Aliás, até aos famigerados heróis (os apaixonados, entenda-se) só apetece dar uns sopapos.   E finalmente as demais personagens: ui, que fraquinhos! (Mas temos de dar trabalho ao pessoal, senão as nossas muitas escolas de actores não tinham futuro).

Depois temos os diálogos. São tão fraquinhos!!! Mas pelo menos todos falam muito bem. Isto até que nem é mau! Mais vale ouví-los a dizer: “é demasiado doloroso!” do que “tá tudo fodido!” mesmo se parecer um pouco artificial.

Os cenários, esses pelo menos são (acho eu) bastante aceitáveis. As cidades não podem ser lá muito falsificadas, embora se tente, claro; e os interiores são geralmente bem caracterizados. Dá para ter uma ideia do que é que os portugueses gostam (isto porque penso que há este tipo de cuidado na preparação dos ditos.

E muito, muito mais havia a dizer sobre as máquinas de telenovelas (um dia compro uma!), mas não tenho tempo! Adeusinho e até à próxima, está na hora da telenovela!

*Não falo das brasileiras, que já não vejo há anos e deixo isso para os brasileiros!

Novas Oportunidades

 - by Paula Barros

Dar uma nova oportunidade àqueles que no seu tempo não terminaram a escola é uma excelente ideia. Desistir da escola enquanto se é jovem é um erro, que se pagará caro mais tarde, quando finalmente se percebe que sem estudos, somos tratados como cidadãos de segunda, é-se tratado como um incapaz. Assume-se que quem não estuda, é burro!

Voltar aos bancos de escola nunca pode ser mau, mesmo quando aparentemente não se aprende, facto é que somos confrontados  com a necessidade de tornar a pensar, analisar, é-nos novamente exigido esforço mental e isso é sempre bom. Que se diga que ninguém sai daqui a saber nada, é possivelmente verdade.  No entanto não creio que o objectivo seja ensinar um novo mundo, mas sim abrir os horizontes de quem já não anda na escola há muito tempo. Se isso é bem ou mal feito não sei. Pode ser que os próprios professores não saibam fazer isso: ou seja apenas saibam debitar matéria como fazem com os seus alunos mais novos, pode ser também que os programas não estejam adequados aos destinatários ou não estejam adequados à realidade – foram feitos por professores que estão habituados a debitar matéria, não é? -, pode ser que os formandos não saibam estar numa sala de aula sem ser como estiveram (e não gostaram) há  muitos anos atrás. Pode ser que afinal ninguém saiba lá muito bem o que fazer nesta circunstância. E isso é mau e gera um sentimento de insatisfação e frustração.

Pessoalmente continuo a considerar as Novas Oportunidades uma ideia excelente e que se deve manter e alargar a todos os que queiram voltar à escola. Talvez seja necessário ir fazendo uma avaliação criteriosa dos resultados e ir melhorando o programa.

Economia Alternativa – tudo é de borla! (ou quase)

 - by Paula Barros

Para quem não tem muito dinheiro à disposição, até tem mas usa-o conscientemente; é contra a sociedade do desperdício aqui vão alguns links úteis em Portugal:

Mercado de trocas

“O Trocal de Lisboa é um grupo de partilha de serviços, conhecimentos e objectos criado em 2002. O intuito é desde então construir uma rede de troca não mercantilista, solidária e uma economia justa fora da lógica monetária e do lucro.”

Website, onde tudo é dado! Anuncie os produtos que quer dar e procure o que precisa!

Banco de Tempo

“O Banco de Tempo nasceu da necessidade de “criar redes de entreajuda”, conforme expresso pelos testemunhos das Audições Públicas realizadas no projecto “Para Uma Sociedade Activa”, sendo enquadrado na actividade do Graal na medida em se que propõe estimular, apoiar e organizar iniciativas que visam a criação de novos modelos de vida em sociedade, a valorização das pessoas e a revitalização das comunidades.”

Partilha de objectos

Rede International de Mailing Lists, FreeCycle. Estas mailing lists permitem aos seus participantes oferecer objectos que já não desejem.

Viajar à boleia

Aqui há já alguns sites a colocar em contacto gente que viaja de carro e gente que precisa de boleias. O Carpool é um site idêntico.

Isto é só um começo de uma economia paralela, onde não há dinheiro, como o conhecemos hoje – a ver quando é que o estado vai meter a mão :-( (

Futuro (des)empregado

 - by Paula Barros

Portugal está em crise. Pronto, já disse! Não resisti a ser mais uma das 10 milhões de vozes que clamam em bom português e a toda a hora: “isto vai uma crise…!” Facto é, que há cada vez mais desempregados e, meus amigos, ainda a missa vai no adro!

O desemprego cresce, porque as industrias tradicionais com trabalho de baixo valor têm os dias contados; aquilo dos moços e das moças dizerem, quando chegavam aos 12 anos “agora vou trabalhar”, à semelhança da orgulhosa imagem que traziam de casa, o “vai trabalhar, que eu trabalho desde os meus 10 anos!”, já não pode ser visto como um sinal de carácter, porque estas crianças não vão ter futuro: em breve para se fazer limpezas e cimento vai ser preciso ter um curso profissional.

O desemprego cresce, porque a formação escolar e profissional em Portugal é fraca, muito fraca: os cursos de nomes sonantes, estão mal planeados, com programas fracos, por vezes ultrapassados, apoiam-se em fundamentos teóricos do máximo respeito mas que falham redondamente perante a realidade do dia-a-dia… como formadora profissional passei o último ano a dar formação a desempregados e o panorama é um deserto. Não me entendam mal: estes desempregados eram pessoas de muito valor, apenas não tinham formação e não ia ser com o meu esforço que em 100 ou 150 horas iriam passar a falar Inglês ou Alemão, as minhas áreas de formação, para depois nas candidaturas profissionais poderem dizer que falam essas línguas.

O mesmo desemprego cresce, porque a economia e a sociedade estão a mudar rapidamente e a segunda muito atabalhoadamente. Estamos a entrar na era do conhecimento e o futuro da economia tradicional vai passar por novas profissões: os operários das grandes fábricas da economia do conhecimento são, por exemplo, os number crunchers que analisam dados em terminais de um servidor qualquer, são os escritores das fábricas de conteúdos que bombardeiam a Internet com informação; os operários do futuro são pelo menos bilingues: dominam o inglês e a língua materna;  trabalham no computador, como o lavrador com a enxada e o arado. Hoje não basta saber ler e escrever, é preciso ser-se info-incluído!

A propósito, não sabem o que são number crunchers? E info-incluído, também não? Então, meus amigos, ou se informam rapidamente ou também vocês podem vir a ser ameaçados com a sombra do desemprego.

*number crunchers: pessoas que analisam extensas bases de dados informatizados. (não fossem vocês ficar às escuras ;-) 

Direitos para todos

 - by Paula Barros

Finalmente é possível o casamento entre pessoas do mesmo género em Portugal. Isto não deixa de ser emblemático, num país com pendor para a tradição, o passado, o saudosismo, o eterno: “No meu tempo é que era bom!” que vai levar ao “o mundo está perdido!”, agora que dois homens ou duas mulheres se podem, perante a lei, unir e partilhar uma vida (ou não, porque as regras do casamento implicam também as regras do divórcio, claro).

Aplaudo a lei, mas acho que deixar a adopção de fora é um erro. Não sabendo nada de leis, sei no entanto que se está a criar uma descriminação; por um lado aceitamos reconhecer o que não “existia” até aqui: que duas pessoas do mesmo sexo se podem amar como duas de sexo diferente, mas não lhes concedemos o direito de serem bons ou maus pais. Sim, porque devemos talvez achar que os pais heterossexuais são melhores, mesmo quando são maus: ou de onde vêm as histórias constantes e lamentáveis de maus tratos, abandonos e abusos a crianças: de pais homossexuais ou de pais heterossexuais?

Fala-se ainda na falta de um modelo de mãe e modelo de pai para os pais homossexuais. Então e os pais heterossexuais que educam sozinhos as crianças, sem a mãe ou o pai? Que modelo é que essas crianças têm? E os maus pais heterossexuais  que lhe batem, abandonam à sua sorte, brincam com o mais íntimo das crianças com processos de divórcio cujos objectivos são meramente resolver as suas questiúnculas egoístas? … Querem mais? Vamos enumerar mais?

Devia haver um referendo, diz-se. Não concordo. A nossa sociedade é em muitos aspectos lenta a desenvolver-se, muito lenta, e um referendo iria dar num redondo não, dizem aqui os opositores: “Aha, é por isso que não deveria ser legislado, porque as pessoas são contra!” Repito, não concordo.Passo a explicar com dois simples pontos:

Em primeiro lugar ao legislar num determinado sentido, estamos apenas a permitir que uma parte da população tenha acesso aos mesmos direitos que a maioria. Isto é simplesmente positivo. Por outras palavras, não estamos a impor à população do contra que seja obrigada a mudar os seus direitos, apenas adicionamos mais uma franja da população aos nossos direitos.

Em segundo lugar, parece-me que há muitas circunstâncias em que primeiro é necessário legislar, alargar os direitos pela lei, permitir a quem era excluido fazer parte da sociedade e dar tempo à parte mais retrógrada da sociedade (que em geral é a maioria) adaptar-se-á às novas regras. Quando se legislou o divórcio em 1975, se tivesse sido feito um referendo, tenho a certeza que teria resultado num redondo não.

Ao contrário, olhem que se passou quando a legislação surge porque a população se modernizou (um pouco):  o voto das mulheres em Portugal só foi possível a partir de 1931, e isto apenas para as mulheres com formação. Apenas em 1974 é que as mulheres e os homens tem os mesmos direitos de voto!).  Aos olhos de hoje, nós portugueses devemo-nos envergonhar de tais datas! Não resisto a comparar com outros países, para demonstrar o atraso do nosso…

Por isso, concordo e aplaudo a nova lei. Compreendo o receio de “ir longe de mais” perante esta sociedade portuguesa  ainda muito básica, na questão da adopção, mas está nas mãos do legislador dar o exemplo e, de alguma forma, porque não,  educar a sociedade, abrir-lhe os horizontes; facilitar a entrada na nossa sociedade de mecanismos que se adequem ao nosso futuro como sociedade do mundo global: a Adopção deveria ter sido votada e favoravelmente!

E vivam todos homens e mulheres do meu país independentemente de raça, cor, credo, inclinação política e agora também (quase) orientação sexual.

Saramago e a bíblia

 - by Paula Barros
Ora a bíblia é um “manual de maus costumes”! Chegam os católicos e os judeus, todos ofendidos, de mão a barafustar, a dizer que o Saramago não sabe o diz, que não tem autoridade, que nem devia ter 1 prémio Nobel, etc, etc …

E não é verdade que no Antigo Testamento há muitas histórias arrepiantes? Comecemos pela primeira, a tal a que ele vai buscar o título, a de Abel e Caim! E desafio todos a procurarem mais, vão ver com que facilidade elas aparecem. Sendo que de facto a bíblia está cheia de histórias arrepiantes, também está carregada de histórias lindíssimas, de heróis e lutadores da vida. A história de Noé, a história do filho pródigo, entre muitas outras. A Bíblia é um repositório de histórias que fazem parte de uma civilização: reflecte naturalmente o mau e o bom dessa civilização.

Saramago diz mais, que nós somos bem mais misericordiosos do que Deus, que tem um castigo macabro para os pecadores: o inferno; enquanto nós temos prisões – das quais se pode sair findo o período de penitência; e que as guerras religiosas nunca serviram para aproximar o homens: e isto também não é mentira nenhuma, ou é?

Não creio que Saramago esteja a criticar Deus, a mim parece-me mais que está a criticar uma parte dos homens e a sua tentativa de impor uma religião aos outros homens, diria que está a ilustrar esse tal lado mau, esse lado mesquinho dos homens.

Por isso, não me parece que a atitude da igreja e seus representantes, bem como da representante dos judeus tenham estado à altura. Pelo contrário apenas deram de si uma imagem que corrobora com o tal “manual de maus costumes” e muito despeitada por sinal.

Em vez de se mostrar ofendida e sentir atacada, o que a igreja deveria ter dito, era que a Bíblia tem de facto histórias assustadoras, mas que está também recheada de bons exemplos, que se Saramago optou por ilustrar um evento cruel da bíblia talvez sirva para atrair mais gente para a leitura da bíblia e dos seus bons exemplos.