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FMI – Dicionário Prático
- by Paula Barros
F.M.I., abrev. de Fundo Monetário Internacional, fundo de emergência que disponibiliza dinheirinho fresco a um país quando este abusou e gastou mais do que devia e não tem outra solução que não seja ir lá bater à porta. Esta ajuda não é isenta de custos, tal como uma Dona Branca dá, mas exige em troca a garantia de que esse dinheiro vai ser bem gasto.
Exemplos de uso:
Recurso ao FMI, usa-se esta expressão para se ir anunciando disfarçadamente a vinda dos funcionários do FMI. Como aquela anedota, em que para ir preparando a senhora da morte do gato, se lhe manda um telegrama a dizer que “o gato está no telhado.STOP”
Intervenção do FMI em Portugal, ou seja naquele momento em que o FMI nos der aí uns 35 mil milhões deles para salvar o país da bancarrota – que caso contrário ia ficar mesmo mal – vão os funcionários do FMI abrir um escritório em Lisboa para controlar as contas do estado: como não há divisa para desvalorizar, nem se pode mexer lá muito nas taxas de juro,o que vai acontecer nesta intervenção vai ser:
- desemprego na função pública: finalmente vai-se fazer a lipoaspiração da função pública;
- fim de institutos públicos como por exemplo, IND, INOFOR, INGA, IICT, AI e ICNB, 1
- TGV – vai ficar a ver navios ou em águas de bacalhau; aeroporto de Beja, se ainda não está acabado, não vai ser agora.
- SCUT – se ainda não tiverem todas portagens, vai ser então.
- Subsídio de Natal – como diria um ex-formando meu: já fostes! E provavelmente para sempre
- Reformas, se não todas, as mais altas também já eram
- E certamente ainda outras medidas
Eu ainda sou do tempo do FMI, já no passado foi necessária a intervenção de FMI. Em 1977 e em 1983. A propósito destas intervenções veja mais abaixo os vídeos de Silva Lopes.
Frases que se dizem por aí 2:
- “Só virá o FMI para Portugal se Portugal recorrer ao Fundo de Estabilização Europeu, mas eu espero bem que não recorra” – Cavaco Silva
- “Não seria uma desgraça se o FMI viesse, mas é melhor que não venha e acho que não vai ser necessário, felizmente” – Mário Soares.
- “Portugal deve rejeitar (…) todas as pressões, insinuações, sugestões, campanhas, operações de chantagem, que têm como alvo reintroduzir as políticas do FMI em Portugal” – Francisco Louçã
Qualquer uma destas posições tenta negar a evidência de que o FMI vai entrar. É uma tentativa de enganar os portugueses e de os acalmar, enquanto estes tentam arranjar uma solução que sabem são incapazes. É a mesma atitude do gerente da empresa que chamado a prestar contas dos falhanços é incapaz de admitir que fez burrada e portanto incapaz de ver que a situação a que levou a empresa é de quase falência. Vai tentar de tudo para pôr as culpas num qualquer bode expiatório, enquanto vai tentando salvar algum para si.
Vídeos:
Silva Lopes fala da vinda do FMI em 1983 e do que poderá ser agora
PS (post scriptum) – vai uma aposta em como em março vamos ter o FMI? Vai uma aposta???
Leia ainda esta entrevista com o mesmo Silva Lopes do JN:
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Notas:
1 Encontra-os nesta página: http://www.agroportal.pt/Estado/institu.htm e aqui
2 in DN 27 Setembro 2010
Fazer greve
- by Paula Barros
Eu não fiz greve. Nem faria. Nem seria assim que demonstraria o meu descontentamento com uma situação laboral. Sinceramente, a mim parece-me que esse meio de reivindicar direitos laborais pertence ao passado, quando as pessoas não tinham direito a mais que não fosse trabalhar de forma escrava 10 ou mais horas a troco de um salário miserável que mal chegava para alimentar uma boca da família.
Hoje, que temos empregos para a vida, que temos acesso a subsídios de Natal, de Férias, de Desemprego, de Família, Instituições de Saúde, reforma garantida, estradas e meios de transporte baratos, parece-me não só abusivo como também de uma grande desconsideração para com aqueles que não podem fazer greve e que esses sim são os mais afetados pelas reformas que aí vêm. Sim, porque não esqueçamos que os 3 milhões que hoje fizeram greve são trabalhadores bem protegidos. Os restantes 40% foram trabalhar seja por não poderem prescindir do dinheiro nem do trabalho, seja por consciência.
Não fiz greve, nem faria. Trabalhei, porque é um direito que me assiste: contribuir para melhorar a situação económica em vez de parar e ficar a olhar para ontem. Chocou-me a paragem de Autoeuropa, chocou-me que, depois de terem encontrado uma forma de subsistir e de ainda por cima poderem ter este ano aumentos salariais os trabalhadores da Autoeuropa tenham feito greve. A solidariedade manifesta-se ajudando o país e não contribuindo para a sua ruína.
O trabalho, ouvi eu hoje, é um bem cada vez mais escasso e meus amigos, vêm aí tempos bem mais difíceis, esta greve ainda por cima sem uma verdadeira manifestação de protesto, com as ruas vazias, qual feriado ou domingo sonolento, de nada adianta, a não ser fazer poupar uns cobres ao estado e dificultar a vida a quem quer trabalhar. Esperem só até o FMI aí chegar e deitar as cartas do desemprego: ou qual será melhor: menos 5% no salário ou menos o salário completo?
Não fiz greve, nem farei nunca, porque se a ideia é tirar um dia de férias, posso fazer exatamente isso: tirar um dia de férias. De resto vou trabalhar, que ainda tenho muito para fazer!
Greve geral – Dicionário prático de Portugal
- by Paula Barros
greve geral, s. f., paragem das funções laborais por parte de trabalhadores com emprego certo e garantido, ficando-se em casa e deixando portanto fechado a cadeado as instituições públicas. Não se aplica a trabalhadores por conta própria, contratados, falsos recibos verdes. Estes, apesar de serem trabalhadores, não têm direito a greve.
É um benefício dos funcionários públicos e dos trabalhadores da Autoeuropa, que apesar de receberem bem e nem se quer verem o seu ordenado reduzido, resolveram não produzir um só automóvel.
sinónimo: feriado, dia sem fazer nenhum
Exemplos de uso:
aderir à greve, decidir fazer um dia de gazeta ao trabalho, porque se tem trabalho
3 milhões fizeram greve, 3 milhões fizeram um feriado;
a greve é um sinal de descontentamento, os grevistas acham que estas reformas são más, porque vão fazê-los passar de “cavalo para burro”; mal eles sabem que vão andar a pé como os desempregados que não puderam fazer greve, porque estão desempregados, como eles vão ficar.
Crise – Dicionário Prático de Portugal
- by Paula Barros
E eis o primeiro termo do nosso dicionário. Aqui a ordem alfabética não interessa muito, mais interessa o conteúdo. Ora vejam lá se concordam ou é preciso mais qualquer coisita:
Crise, s. f. , estado ou situação caracterizado por penúria e debilidade económica. Este estado pode ser regular e constante (Portugal); ocasional (Alemanha); temporário e recorrente (EUA, Europa).
Exemplos de uso:
- Lutar contra a crise, diz-se para indicar que se pretende tomar medidas contra a crise. O uso literal desta expressão, ou seja, executar as medidas para eliminar a crise, não é habitual.
- É a crise!, exclamação, dito com ênfase no início e desvanecimento no ar no final da expressão, serve de justificação para determinadas situações de dificuldade económica, como por exemplo, já não tenho clientes no meu café por causa da crise e nunca (jamais) porque este não presta ou está muito caro ou não é bem servido ou na mesma rua há pelo menos 20 cafés.
Frases da imprensa:
- A crise obrigou-os a abdicar de uma vida confortável1, enquanto ganhavam bom dinheiro, não se lembraram de poupar e consumiam desregradamente, agora pagam pelos seus pecados.
- Crise: Deputado esfomeado reivindica jantar na cantina da AR2, claramente influenciado pelo termo crise, o Ricardo Gonçalves, considera que os 3700 euros que ganha para nos representar não chegam para pagar os seus jantares.
- Sim, Portugal pode vencer a crise3, esta expressão serve no seu sentido figurado para acalmar os espíritos mais inquietos. De facto, pode ser possível vencer a crise, mas como nunca nada é feito, o mais provável é isso não acontecer. Além disso como iríamos viver sem crise? Quem culparíamos da nossa ineficácia?
Imagens na Net:
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1 in Público, 12.07.2010;
2 in Expresso, 05.10.2010
3 in Diário de Notícias, 20.11.2010
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Têm mais exemplos, mandem-nos para ilustração do nosso dicionário prático
Dicionário prático de Portugal
- by Paula Barros
Mas quem é que entende este país? Algum de vocês?
Estamos à beira da rutura e os portugueses querem greve, o governo quer TGV, a oposição não sabe bem o que quer, mas isto é que não quer; os trabalhadores querem mais 5% e os desempregados querem subsídio; os que já nem desempregados são (por limite de prazo) querem subsídio; a classe média quer WIIs, Playstations, carros e pagar a casa; os ricos que os deixem em paz; os juízes, coitadiiiiiiinhos querem o seu merecidíssimo subsídio de renda no desgostoso valor de 700 euros, (os professores é que não sabiam desta, senão em vez de não quererem avaliação, faziam era greve para terem direito ao mesmo subsídio).
Resolvi “criar” um dicionário prático que ajude a entender Portugal. Sobretudo que ajude a perceber o que é que podemos querer e do que é que devemos prescindir. Na minha “capacidade” de “dicionarista” convido-vos a juntar os termos que definem o nosso lindo país.
Aceitam-se muitas sugestões!
Vá lá!
Os Políticos, os Mercados e Nós
- by NunoB
A semana passada falou-se muito de Orçamento, Mercados, Políticos e Loucos. Falou-se muito dos que falaram, dos que disseram que lhes disseram que outros disseram. Curiosamente, Aquele que não fala, falou ao Expresso, numa pouco habitual entrevista. No fim da semana as bolsas caíram porque os políticos falaram, pondo a nu um facto que não se quer ver – os mercados são independentes do poder político, são uma força incontrolável e implacável. Descarregam a sua ira sobre nós ao menor sinal de mau comportamento.
Os políticos falam, os mercados castigam-nos. E os políticos falam novamente e queixam-se dos mercados. São injustos para Portugal, diz o Presidente da República. São irracionais, diz o Ministro das Finanças, são loucos diz o Primeiro Ministro (esperem… não são os mercados que são loucos! É o Mário Crespo e o Medina Carreira!). Os meta-políticos – políticos da União Europeia – comparam Portugal e Espanha com a Grécia e vai daí os meta-mercados oscilam perigosamente; levantam-se tufões e pragas de gafanhotos.
Os mercados e os políticos. Estes salvam os bancos da crueldade daqueles, mas não se podem salvar a si próprios. Os mercados estão para os políticos como Deus está para os Homens (e Mulheres e Gays, já agora). Os mercados são cruéis, implacáveis, castigadores, mas simultaneamente têm desígnios incompreensíveis para o mero político e comum mortal e definitivamente escrevem direito por linhas tortas. Os mercados são adorados e simultaneamente temidos e a sua mão invisível (tal como a de Deus) pode ser pesada. E um Pai Nosso e duas Avé-Marias já não são suficientes para obter o redentor Perdão. É preciso muito mais, mas mesmo muito mais.
E nós? Qual o nosso papel nesta relação metafísica de forças? Nós somos os Porcos, ou melhor, os PIGS, que para quem não sabe, é o acrónimo pelo qual os analistas dos mercados – esses sacerdotes sacrificiais da modernidade – se referem a Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (Spain). Pois nós somos ainda mais: os verdadeiros porcos, aqueles de Orwell, aqueles para os quais o único caminho é a Revolução.
Novas Oportunidades
- by Paula Barros
Dar uma nova oportunidade àqueles que no seu tempo não terminaram a escola é uma excelente ideia. Desistir da escola enquanto se é jovem é um erro, que se pagará caro mais tarde, quando finalmente se percebe que sem estudos, somos tratados como cidadãos de segunda, é-se tratado como um incapaz. Assume-se que quem não estuda, é burro!
Voltar aos bancos de escola nunca pode ser mau, mesmo quando aparentemente não se aprende, facto é que somos confrontados com a necessidade de tornar a pensar, analisar, é-nos novamente exigido esforço mental e isso é sempre bom. Que se diga que ninguém sai daqui a saber nada, é possivelmente verdade. No entanto não creio que o objectivo seja ensinar um novo mundo, mas sim abrir os horizontes de quem já não anda na escola há muito tempo. Se isso é bem ou mal feito não sei. Pode ser que os próprios professores não saibam fazer isso: ou seja apenas saibam debitar matéria como fazem com os seus alunos mais novos, pode ser também que os programas não estejam adequados aos destinatários ou não estejam adequados à realidade – foram feitos por professores que estão habituados a debitar matéria, não é? -, pode ser que os formandos não saibam estar numa sala de aula sem ser como estiveram (e não gostaram) há muitos anos atrás. Pode ser que afinal ninguém saiba lá muito bem o que fazer nesta circunstância. E isso é mau e gera um sentimento de insatisfação e frustração.
Pessoalmente continuo a considerar as Novas Oportunidades uma ideia excelente e que se deve manter e alargar a todos os que queiram voltar à escola. Talvez seja necessário ir fazendo uma avaliação criteriosa dos resultados e ir melhorando o programa.
Orçamento do Estado
- by Paula Barros
O PS, o CDS estão na mesa das negociações para deliberar como vai ser aprovado este orçamento do estado e como não há jeito destes se entenderem rapidamente, vem aí agora o PSD para ajudar à festa.
Está difícil, dizem, chegar a acordo. O estado tem dívidas e como o PS agora já não tem a faca e o queijo na mão, não há orçamento de estado sem consenso.
A questão é: E eles vão meter a mão onde? Nas empresas, nos trabalhadores? Ou no estado? E que tal se eles metessem a mão nos seus lindos ordenados de deputados, assessores eleitos, ministros e governantes, hem?
E que provavelmente vão ser aumentados, de acordo com as revisões salariais, ou não?
Nisso ninguém fala, não é?
http://www.cga.pt/Legislacao/Subvencao_mensal_vitalicia.pdf
http://www.dgaep.gov.pt/index.cfm?OBJID=f3f3646b-bbd0-4251-8b5c-4a35180adc15
